quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Classificação do gado no abate gera atritos entre frigoríficos e pecuaristas


Além de amargar prejuízos com a suspensão dos abates e a recuperação judicial de alguns frigoríficos, produtores do sudeste e de  Mato Grosso enfrentam outro motivo de preocupação. Eles reclamam da diferença na classificação dos animais que foram entregues para abate e acusam as empresas de alterar os resultados da balança para reduzir o valor pago aos pecuaristas.
       
Após a inadimplência e a falência de algumas unidades de abate os pecuaristas pararam de vender à prazo, mas quem compra a vista exige pagamento para após o abate e a classificação da carcaça, e é aí que começam os problemas: “ Vendi um gado de peso em torno de 12 arrobas, o frigorífico pagou R$ 10,8. Eu não confio mais em levar meu gado para o frigorífico na venda à prazo. Na venda à vista na balança já não dá também” relata um pecuarista que preferiu não se identificar.

Ele não é o único que se diz prejudicado com essa situação.
– Eu tinha 100 novilhas para abate, pesei na balança do curral, 13 arrobas de média. 54 novilhas foram classificadas com menos de 10 arrobas. O prejuízo foi muito grande – lamentou o pecuarista Jucélio Oliveira Barbosa.

A distância entre a fazenda e o frigorífico impede o pequeno pecuarista de acompanhar o procedimento de pesagem dos animais. Os produtores alegam que isso facilitaria uma suposta manipulação do frigorífico.
– Com certeza o pessoal se aproveita da distância, o produtor não assiste o abate e eles classificam como querem. A gente vai recorrer a quem? – disse o pecuarista Lázaro Franco.

Para a Acrimat, o pecuarista precisa acompanhar o abate dos animais e deve mudar urgentemente a maneira de negociar o rebanho.
– Eu acho que o grande modelo que o produtor precisa fazer definitivamente é partir para a venda à vista na fazenda. Se você não tem confiança no frigorífico para o qual está vendendo, você tem que exigir que aquele frigorífico te pague antecipadamente e, aí sim, ele pode levar o boi e fazer o que bem entender com ele – observou Luciano Vacari, superintendente da Acrimat.

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